segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

NIVAN GOMES, UM CRAQUE Nos meus tempos de moleque de rua em São Caetano, tinha um menino que morava numa casa vizinha a minha que se chamava Nivan. Ele era bom de bola. Eu acho que até tinha inveja dele, pois gostaria de driblar e chutar forte e certeiro como ele. Quando a gente jogava as peladas na rua ou no campinho, ele era sempre escolhido primeiro para compor o time. O Claudio, um garoto mais velho, que depois veio a ser cunhado do Nivaldo, irmão do Nivan, escalava o time da vila para jogar contra um time de outro bairro. Eu sempre ia jogar no gol, pois era muito ruim de bola. Mas o Nivan era bom, jogava bem na defesa ou no ataque. O Nivan era filho do seu Oscar um senhor muito sério e temido pelos filhos e parece que não gostava que as suas crianças brincassem na rua. O tempo passou, a família do Nivan mudou de bairro e eu fui fazer o antigo ginásio e nunca mais vi o garoto bom de bola e também abandonei as peladas na rua Juruá. Outro dia, o acaso me levou para aqueles saudosos tempos e encontrei o Nivan na casa da minha filha, que mora na mesma casa onde morei na infância. Velho como eu, o Nivan, já não joga bola, mas contou-me sobre sua carreira bem sucedida no futebol. Foi bem mais longe do que eu pudesse prever: jogou na base do meu Corinthians, no Grêmio de Porto Alegre, num time do Uruguai, chegou a jogar uma partida na seleção portuguesa e terminou sua carreira como treinador na Austrália. Enfim, se tornou um craque de peso. Pena que parei de acompanhar futebol e não pude ver a ascensão daquele menino que jogava as peladas na minha rua, descalço e sem camisa no calorão de verão. Naqueles tempos o verão durava o ano inteiro e a infância parecia que não tinha fim e em todas as noites havia vaga-lumes brilhando nos quintais. Não sei se viajei, mas o Nivan Gomes existe mesmo e hoje está na rede social postando crônicas. Pena que não pude contar para os amigos que eu cheguei a jogar com um craque de verdade naquelas longas tardes de São Caetano.